No fim de outubro de 2026, o tema ganhou destaque porque duas notícias de sinal contrário surgiram ao mesmo tempo: o gasóleo sobe e a gasolina desce. A descida da gasolina é grande, de cerca de 8 cêntimos por litro, o que costuma gerar manchete e muitas pesquisas. Em paralelo, o preço do petróleo Brent aproxima-se dos 110 dólares por barril, valor que não se via há cinco meses.
Fontes de mercado disseram à CNN Portugal que, a partir de 26 de outubro, o gasóleo deverá subir cerca de 1 cêntimo por litro, passando de 2,184 €/l para cerca de 2,194 €/l. A gasolina deverá descer cerca de 8 cêntimos, de 2,115 €/l para cerca de 2,035 €/l. A mesma tendência foi noticiada pela SIC Notícias e pela Rádio Festival. São estimativas, não valores confirmados, porque só se tornam definitivos quando os postos comunicam os preços à DGEG.
As previsões divulgadas baseiam-se nas cotações de fecho de quarta-feira nos mercados internacionais. Os preços reais só ficam conhecidos quando cada posto os comunica à Direção-Geral de Energia e Geologia, a DGEG, que é a entidade pública responsável por recolher e publicar esses dados. Por isso, os valores de 2,194 €/l no gasóleo e 2,035 €/l na gasolina são indicações de tendência, não certezas. A diferença entre o que se previu e o que se confirma pode variar, e além disso os preços mudam de posto para posto e de concelho para concelho.
Segundo dados da DGEG citados pelo theintelligent.pt a 22 de outubro de 2026, a gasolina 95 simples estava em média a 2,146 €/l, uma descida de 1,9 cêntimos face à semana anterior. O gasóleo simples estava a 2,243 €/l, uma subida de 3,1 cêntimos. Ou seja, a média nacional já mostrava o mesmo sentido do que se espera para a semana seguinte: gasolina a aliviar e gasóleo a agravar. Estes números são médias e não refletem o preço que o leitor encontra num posto concreto.
O Preço Eficiente é um valor de referência calculado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, a ERSE, que estima quanto deveria custar o litro atendendo à evolução dos mercados internacionais. Na semana de 19 a 25 de outubro de 2026, esse valor era de 2,144 €/l na gasolina 95 simples e de 2,245 €/l no gasóleo simples, já com impostos incluídos. Face à semana anterior, a gasolina desceu 1,1% e o gasóleo subiu 1,51%. A ERSE publica isto como referência, não como preço obrigatório, e os postos podem praticar valores acima ou abaixo.
Na semana de 19 a 25 de outubro de 2026, as cotações internacionais caíram 2,7% na gasolina e subiram 3,0% no gasóleo, segundo o relatório semanal da ERSE. Essa assimetria explica porque é que, no mesmo período, um combustível alivia no preço final e o outro agrava. O gasóleo está também mais pressionado porque o gasóleo simples se aproxima do seu máximo histórico de referência, de 2,221 €/l, registado a 23 de setembro de 2026. É essa combinação que torna a notícia mais relevante para quem enche o depósito todas as semanas.
ISP significa Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos, um imposto especial que incide sobre cada litro de combustível vendido. Na semana de 19 a 25 de outubro de 2026, a Portaria n.º 458-A/2026/1 fixava taxas unitárias de 0,42562 €/l na gasolina e de 0,25949 €/l no gasóleo. A componente fiscal é uma parte significativa do preço que se paga na bomba, sobretudo na gasolina. É por isso que alterações no imposto, ou nos descontos aplicados sobre ele, mexem no preço final de forma imediata.
Existe um desconto temporário e extraordinário no ISP de 0,07190 €/l na gasolina e de 0,10211 €/l no gasóleo, o que representa um alívio de 7,19 e 10,21 cêntimos por litro antes de IVA. A ERSE indica que a menção "Redução ISP+IVA" a afixar nos postos, que combina o efeito do imposto e o do IVA, é de 23,1 cêntimos por litro na gasolina e de 23,9 cêntimos por litro no gasóleo. Segundo o theintelligent.pt, este desconto mantém-se em vigor até 31 de dezembro de 2026. Depois dessa data, se não for renovado, o preço na bomba tende a refletir o fim do alívio.
Desde o início de 2026, o gasóleo subiu 62,1 cêntimos por litro e a gasolina subiu 37,4 cêntimos por litro, segundo a CNN Portugal. Isto mostra que a subida do gasóleo foi quase o dobro da da gasolina em termos absolutos ao longo do ano. Para quem conduz um veículo a gasóleo e faz muitos quilómetros, o impacto acumulado é maior do que para quem usa gasolina. Estes valores são variações até à data da notícia, 22 de outubro de 2026, e não uma previsão do que falta do ano.
O gasóleo simples registou um máximo de referência de 2,221 €/l a 23 de setembro de 2026. A gasolina 95 simples tem um máximo de referência mais antigo, de 2,188 €/l, atingido em fevereiro de 2022. Ou seja, o gasóleo está atualmente mais perto do seu recorde do que a gasolina está do seu. Esta comparação ajuda a interpretar as notícias: quando se diz que o gasóleo "está perto do máximo histórico", isso refere-se a um valor recente, enquanto o da gasolina remete para um episódio de 2022.
O Brent é a referência internacional do petróleo usado na Europa e serve de base para calcular o custo das matérias-primas dos combustíveis. Segundo o theintelligent.pt, o Brent estava próximo dos 112 dólares por barril, valor que reflete tensão geopolítica no Médio Oriente. O relatório da ERSE aponta volatilidade, com possível subida ligeira no gasóleo e descida na gasolina. Isto significa que as previsões podem mudar depressa se o preço do petróleo se alterar durante a semana.
O preço final resulta da soma da matéria-prima, do custo de refinação e transporte, das margens das gasolineiras e dos postos e dos impostos. A cotação internacional do produto refinado, medida em dólares por tonelada, é convertida para euros por litro e ajustada à semana seguinte. A ERSE calcula um valor eficiente com base nessa cadeia, e os postos decidem depois se praticam esse valor, acima ou abaixo. Por isso, uma notícia sobre a próxima semana fala de tendência, não de um preço único para todo o país.
Os preços praticados em cada posto são recolhidos pela DGEG e publicados no Portal da DGEG e na aplicação Preços de Combustíveis. A ERSE publica semanalmente o relatório com o Preço Eficiente, que serve para comparar se o posto onde o leitor costuma abastecer está acima ou abaixo da referência. As notícias da CNN Portugal, SIC Notícias e Rádio Festival antecipam a tendência a partir das cotações de fecho de quarta-feira. Consultar as duas fontes antes de encher o depósito permite decidir se vale a pena adiar ou antecipar o abastecimento.
A semana de 26 de outubro de 2026 junta dois fatores pouco comuns: uma descida acentuada na gasolina e uma subida no gasóleo. Quando ambos os combustíveis se movem na mesma direção, a notícia interessa sobretudo a quem usa um deles. Quando se movem em direções opostas, o tema ganha alcance maior, porque afeta públicos diferentes ao mesmo tempo. A isso junta-se o contexto do Brent elevado e do gasóleo perto do máximo histórico, o que transforma o preço num assunto de custo de vida e não só de automóveis.
Para um depósito de 50 litros, uma descida de 8 cêntimos por litro representa cerca de 4 euros de poupança no abastecimento. Numa subida de 1 cêntimo por litro, o mesmo depósito fica cerca de 50 cêntimos mais caro. Estes valores são uma estimativa aritmética a partir das variações anunciadas, não um valor garantido, porque o preço efetivo por posto pode ser diferente. A utilidade destas contas é comparar a dimensão relativa das duas notícias: a da gasolina é a mais expressiva.
Quem faz muitos quilómetros por semana, como profissionais de transporte ou trabalhadores com deslocações longas, sente mais o efeito de cada cêntimo por litro. Quem usa o carro apenas ao fim de semana tem um impacto menor no orçamento, mas continua exposto à tendência anual. Quem tem veículo a gasóleo foi o mais penalizado em 2026, dado que a subida desde janeiro foi de 62,1 cêntimos por litro, superior à da gasolina. Esta distinção ajuda a decidir se vale a pena ajustar rotinas de abastecimento.
Volatilidade significa que os preços se movem com frequência e amplitude, tornando as previsões menos fiáveis quanto mais longe estiverem no tempo. O theintelligent.pt aponta volatilidade na semana em análise, com Brent perto dos 112 dólares por barril. Nesse cenário, uma previsão feita à quarta-feira pode já não corresponder ao que acontece na segunda-feira seguinte. Por isso, as notícias falam em "deverá" e não em "vai", e a confirmação só chega através dos dados da DGEG.
A DGEG recolhe e publica os preços comunicados pelos postos, sendo a fonte oficial dos valores praticados em todo o país. A ERSE, como regulador do setor energético, calcula o Preço Eficiente semanal e publica relatórios com a evolução das cotações internacionais. Estas duas entidades não fixam preços: informam e regulam. Distinguir as duas funções evita confundir uma referência semanal com um preço obrigatório, o que é uma confusão frequente quando saem notícias sobre combustíveis.
Se o leitor usa gasolina, a previsão de descida de cerca de 8 cêntimos por litro para a semana de 26 de outubro sugere vantagem em esperar, desde que o depósito aguente até lá. Se usa gasóleo, a previsão de subida de cerca de 1 cêntimo por litro indica que antecipar o abastecimento é ligeiramente mais favorável. Em qualquer dos casos, a decisão deve considerar o preço do posto habitual, porque a diferença entre postos do mesmo concelho pode ser maior do que a variação semanal prevista. Estas são orientações baseadas nas estimativas divulgadas, não garantias de poupança.
O resumo é este: para a semana de 26 de outubro de 2026, estima-se gasóleo a subir cerca de 1 cêntimo por litro e gasolina a descer cerca de 8 cêntimos, segundo fontes de mercado citadas pela CNN Portugal, com a mesma tendência na SIC Notícias e na Rádio Festival. Na semana em curso, o Preço Eficiente da ERSE era de 2,144 €/l na gasolina e 2,245 €/l no gasóleo, com as médias da DGEG a acompanhar esse sentido. A vigiar ficam o preço do Brent, que estava próximo dos 112 dólares, e o prazo do desconto no ISP, que termina a 31 de dezembro de 2026 se não for renovado.